Quando a Minueto começou a crescer e a ideia de transformar nossa escola em uma rede de franquias se tornou real, eu me deparei com um dos maiores medos de qualquer empreendedor: como garantir que a mesma experiência que criamos aqui seja entregue lá na ponta, em qualquer outra unidade?

O mercado de franquias costuma responder a essa pergunta de um jeito muito padrão. Você escreve manuais, entrega para o franqueado, dá um treinamento inicial e torce para que as coisas funcionem. 

Mas eu sabia que isso não seria suficiente. Conhecimento documentado não é garantia de conhecimento executado. Eu não queria apenas entregar um pacote de regras. Eu precisava ter certeza de que as pessoas saberiam o que fazer, fariam o que aprenderam e, mais importante, continuariam fazendo isso com qualidade ao longo do tempo.

Foi tentando resolver essa angústia operacional que acabei desenhando o que hoje chamamos de Sistema de Gestão da Qualidade Total (SGQT) da Minueto.

As três perguntas que mudaram nossa operação

Quando comecei a desenhar esse sistema, não estava pensando em teoria. Estava pensando em um problema real: como garantir que a Minueto fosse a mesma escola acolhedora e eficiente em qualquer lugar do Brasil. Tenho dois MBAs pela FGV, em Gestão Empresarial e em Marketing, e já atuei como presidente executivo da Fundação de Desenvolvimento Gerencial, mas foi tentando responder a essa pergunta prática que percebi que precisávamos estruturar três coisas fundamentais.

A primeira era: Como garantir que as pessoas sabem o que fazer?

Não adiantava ter um manual de cem páginas. Ninguém lê isso no dia a dia. A resposta foi criar a Academia Minueto, um ambiente onde o colaborador não apenas assiste a vídeos, mas passa por um funil de certificação. Ele “Senta e Aprende!”. Só vai para a operação quem realmente prova que entendeu o seu papel.

A segunda pergunta era: Como garantir que as pessoas fazem o que sabem?

É aqui que a maioria das empresas falha. A pessoa sabe a teoria, mas na correria do dia a dia, o básico se perde. Para resolver isso, criamos o Levanta e Faz! (LEF). São checklists físicos, diários e semanais, que tiram a ambiguidade do trabalho. A pessoa chega, olha para o papel e sabe exatamente qual é a próxima ação. Não há espaço para paralisia.

A terceira pergunta era: Como garantir que continuam fazendo com qualidade?

O tempo desgasta qualquer processo. As pessoas criam atalhos, esquecem detalhes. Para combater isso, implementamos a Recertificação Trimestral. Não é uma punição, é uma manutenção. A cada três meses, garantimos que o padrão continua fresco na mente de todos.

Um ciclo de qualidade com o nosso DNA

Quem tem formação em gestão reconhece rapidamente o que construímos aqui: uma aplicação prática e muito humana do ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act) e dos princípios de Qualidade Total que sustentam as maiores redes do mundo. Não foi por acaso. 

A diferença é que não adotamos uma teoria pronta nem compramos um software de prateleira. Partimos dos conceitos que já conhecíamos e os traduzimos para a nossa realidade, com o nosso DNA, para o contexto específico de uma escola de música em expansão.

Quando um aluno entra em uma unidade da Minueto, ele não vê a Academia de Certificação, não vê os LEFs e não sabe o que é uma recertificação. Mas ele sente o resultado de tudo isso. Ele sente que foi bem atendido, que o professor estava preparado, que a aula fluiu e que a escola se importa com ele.

E para quem investe em uma franquia nossa, esse sistema é a diferença entre comprar apenas o direito de usar uma marca e receber, de fato, uma operação estruturada.

O SGQT não é um troféu do qual eu me gabe. Ele é, na verdade, a ferramenta que me dá paz de espírito. É ele que me permite deitar a cabeça no travesseiro sabendo que, independentemente de qual unidade o aluno escolher, ele vai viver a experiência apaixonante que a Minueto nasceu para entregar.

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Daniel Bottrel
CEO e fundador da Minueto